Octavio Penna Pieranti fala sobre sua paixão: Políticas Públicas e Regulamentação da Comunicação

O pesquisador já escreveu cinco livros sobre o tema e atua no laboratório há 10 anos

Para quem está no início da vida acadêmica, pode parecer estranho quando alguém faz a graduação em Comunicação Social – Jornalismo e segue em Administração Pública na Pós-Graduação. No entanto, para os mais experientes é algo recorrente. Mas a questão que norteia ambos os grupos é: o que leva alguém a se especializar em outra área? No caso do professor Octavio Penna Pieranti, foi a necessidade de contribuir de maneira mais direta na construção de políticas públicas.

Outro ponto curioso na trajetória acadêmica de Octavio é que ele somente iniciou sua vida de pesquisador no mestrado, uma que não realizou iniciação científica durante a graduação. Porém, ele conta que alguma situações contribuíram para sua formação profissional, como a participação do movimento estudantil, que propiciou a formulação e o debate de problemas importantes. “Por mais que eu não tenha atuado em pesquisa acadêmica, as minhas atividades na universidade foram extremamente relevantes”.

Pesquisa e produções

Desde o Mestrado ele pesquisa e trabalha com seu tema favorito -Políticas Públicas e Regulamentação da Comunicação- que lhe rendeu cinco livros, entre eles “Políticas Públicas de Radiodifusão no Governo Dilma”, que surgiu devido a preocupação em preservar a memória desse campo, além de estimular o debate público desse período. “Fiz várias entrevistas com pessoas que estudam essas temáticas e notei que muita gente não deixou nenhum registro”.

Ao ser questionado sobre qual obra foi mais difícil de produzir, Octavio não consegue estabelecer, pois todos tomaram um certo tempo e complementa. “Dois dos meus cinco livros eu participei como organizador, então isso envolve o trabalho de ‘desenhar’ a estrutura base do livro, além da organização e cobrança de outros autores; já os outros três foram diferentes, pois eu fui o único autor. O penúltimo livro que escrevi demorou quatro anos, mas se for considerar o tempo de preparo eu demorei o mestrado e doutorado”.

Parceria com o Lecotec

Também há quase 10 anos, Octavio conheceu os professores Juliano Maurício de Carvalho e Antonio Francisco Magnoni no Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom) em Brasília. Então, quando o Lecotec iniciou suas atividades, ele aceitou ser pesquisador do laboratório, mesmo que remotamente. “É muito mais proveitoso participar de reuniões periódicas com os outros pesquisadores, afinal seria possível uma interação maior com o grupo. Por outro lado, o caminho que eu escolhi na vida, não me permite estar em Bauru todo o tempo, então, eu tento manter o contato e realizar ações conjuntas”.

Ainda segundo ele, há o diferencial de estar vinculado a um laboratório que possibilita um espaço onde outras pessoas pensam de maneiras semelhantes -independente da área de atuação-. “Você sente-se parte integrante de um grupo que te dá motivação e permite o crescimento profissional por meio de diálogos entre pesquisadores iniciantes e mais experientes, o que resulta em um sentimento de pertencimento”.

O que vem por aí

Já sobre futuros projetos, o pesquisador prevê o lançamento no próximo ano de seu livro produzido a partir de sua pesquisa no Pós-Doutorado sobre “Transição das emissoras estatais de Radiodifusão para o sistema público no Brasil e nos países do centro leste europeu”. Já em 2019 ele pretende transformar a série de entrevistas – que se iniciou há quase 10 anos- com pessoas que atuaram diretamente na formulação das Políticas Públicas de Rádio em um livro expositor do panorama destas políticas desde a Ditadura Militar.

Por fim, para aqueles que ainda não se inseriram no mercado da Comunicação, Octavio aconselha ter foco e preparação -o que demanda estudo, dedicação e abdicação- e concentração no objetivo, pois cada vez mais as pessoas precisam se qualificar para o ambiente profissional fora da academia, devido à dificuldade de inserção.

 

Repórter: Geovana Alves

Edição: João Guilherme D’Arcadia

 

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